Jornal Voz Ativa  |  setembro/outubro  |  Por Marcisio Moura

A cada dia temos a infelicidade de acompanhar algumas empresas do Setor de Telemarketing perder contratos com as tomadoras de serviço, e com isso levando inúmeros trabalhadores e trabalhadoras a engrossar os números de desempregados de nosso país, que já ultrapassam os 13 milhões.

Até aí, em períodos de crise sabemos que se os negócios vão mal, consequentemente,
as portas acabam se fechando.

O que não tínhamos conhecimento de fato era sobre a falta de assistência a que os trabalhadores estão sendo submetidos diante dos reflexos da Reforma Trabalhista de 2017 - que tanto condenamos e alertamos sobre suas reais intenções: enfraquecer as entidades representativas, retirar direitos trabalhistas e maximizar lucros patronais. Enfim, priorizar o Capital em detrimento do Trabalho.
 
Apesar de tantas justificativas que ventilavam ser a salvação para a geração dos empregos, cotidianamente comprovamos que este não era o verdadeiro conteúdo em seu bojo, vide que passados dois anos os números não se alteraram.

E para piorar, da noite para o dia, o acordado subtraiu o que antes era garantido pelo legislado, acarretando prejuízos diretos ao cotidiano dos trabalhadores (redução no tempo de refeição/lanche e do tempo de descanso, acordo individual de trabalho, dentre vários outros pontos, que só contribuíram para a precarização das relações de trabalho).
 
Isso, sem contar a implementação do trabalho intermitente, onde os trabalhadores foram alçados à condição de empresários, transferindo a estes o “risco do negócio”.
 
Outro ponto a ressaltar, são as homologações sem a presença do sindicato como órgão fiscalizador, dando maior autonomia às empresas no distrato, prejudicando assim o lado mais fraco da relação: o do trabalhador.

Se com a Reforma a geração de empregos inexistiu, o que ela realmente trouxe à tona foi a inadimplência das quitações de pagamentos básicos, como o INSS e o FGTS nas contas dos trabalhadores. Constatamos várias empresas que fecham suas portas, ou desligam inúmeros trabalhadores e trabalhadoras de uma só vez com parcelamento das verbas rescisórias e demais obrigações, quando não, obrigando quem trabalha a ir buscar seus direitos na fila imensa do judiciário.

O primeiro que trata da seguridade, tão atacada nesse atual Governo que insiste na reforma da previdência, custará caro a tão sonhada aposentadoria e para qualquer solicitação de benefício. Já o segundo, um fundo para proporcionar estabilidade financeira para o empregado após a demissão torna-se um susto, pois apesar de ser descontado mensalmente, no momento que o trabalhador mais precisa, não está lá.

Enfim, estes são alguns pontos que já conseguimos perceber como reflexos da tão famigerada deforma trabalhista e o que ela acarretou na vida de todos nós, trabalhadores
e trabalhadoras. Poderíamos finalizar estas palavras relembrando que tentamos alardear as verdadeiras intenções por trás desse feito, mas de pouco surtiria efeito concreto.

O que nos resta nesse momento é organizar nossa ofensiva, unir os trabalhadores em prol da luta pelos seus direitos e alimentar o sentimento de mudança para o que estamos vivenciando finde. O momento não é o de se afastar da politica, mas, sim, o de entendê-la
e participar efetivamente ao lado de seus pares: os que trabalham.

Por fim, as palavras de Bertolt Brecht nunca foram tão atuais, “o pior analfabeto é o analfabeto político”, vale a reflexão.

Com isso, o fortalecimento da nossa categoria (e das demais) - pela garantia dos direitos e conquistas - passa claramente pela capacidade de nos organizar. E uma das ações mais significativas neste ponto, é a Sindicalização. Ou seja, a representatividade de fato.

O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

 
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra,
corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.